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Um Turbilhão de Pensamentos e Emoções (Alice no País das Maravilhas)

Muitas vezes, os pensamentos e as emoções sobrepõem-se. Assim, nessa situação de caos emocional, não consigo compreender totalmente o que e quanto se passa dentro de mim.

Muitas vezes não compreendo se os argumentos adquiridos durante o trabalho de investigação introspetiva podem ser corretamente associados aos factos da minha vida.

Por outro lado, no dia a dia, dou por mim a observar e a analisar as situações da minha vida de um ponto de vista introspetivo. Não sei se relaciono corretamente as coisas que aprendi, mas vejo com prazer que isso se tornou também uma espécie de “mecanismo”. E este é, sem dúvida, um mecanismo saudável.

Na maior parte dos casos, observo a situação por um momento e depois volto a identificá-la e continuo o meu jogo.

Só por vezes, e só passado algum tempo, consigo reviver a situação de uma forma um pouco mais “distanciada”. Analiso introspetivamente e com um pouco mais de precisão o turbilhão de pensamentos e emoções que me assalta.

Hoje, olhando para uma tela, tentei sentir. E foram criadas correlações com o meu momento atual de vida.
Correlações que gostaria de partilhar com outros investigadores.

O Poder do “Não”

Assim que vi o quadro “O Poder do NÃO”, tentei entender o seu significado e pensei imediatamente no quanto estou agarrada, fisgada, mas mais… Diria que até me sinto envolvida em certas crenças minhas. A minha busca pelo poder do “não” deve-se a condicionamentos e padrões familiares e sociais.

Ao observar o meu funcionamento perante a vida, sinto que, por vezes, estou a tentar boicotar tudo e sinto uma enorme vontade de fugir para “regressar ao sítio de onde vim” antes de iniciar a procura. Tenho uma enorme vontade de dizer “não” à parte de mim que está a fazer uma busca introspetiva.

Mas de onde venho eu?

Venho de uma situação de solidão e abandono.

Além disso, não havia ninguém à minha volta com exigências, o que significava que não tinha deveres nem obrigações.

Nesta azáfama solitária, podia ser sempre 100% eu próprio. Não tinha de me esforçar para estabelecer contacto emocional, nem de observar cada ação e cada frase.

Sem dúvida, uma situação superficial, mas, por outro lado, leve.

Quando escolho relacionar-me com os outros, sinto tudo com um peso extremo.

Demasiadas exigências, demasiadas expectativas… Talvez a palavra certa seja “ESTAR CONSCIENTE”.

Pintura acrílica mostrando o poder do não
Aurora Mazzoldi – O Poder do Não – acrílico sobre tela (cm. 60x 80)

Viver de olhos abertos e não dormir mais?

Voltando à pintura, leio um certo olhar de convicção no rosto da criança. Ele está convencido do seu “não” e claramente chateado, como eu às vezes estou, por pensar que está certo e que é tudo o resto no mundo que tem de mudar, porque ele está certo.

Será que a Situação Está Errada?

E, sem dúvida, há algo de errado.

Talvez, no entanto, não seja a situação em si.

Talvez seja a forma como encaro a situação.

Sinto-me como uma criança que não quer obedecer porque considera que o mundo é injusto e as coisas devem ser como ela quer.

O cerne do problema é este:

O que é que a criança quer? O que é que eu quero?

Quero construir relações autênticas ou continuar a brincar?

Quando brincava, divertia-me imenso, sem me aperceber disso, a rir e a brincar com toda a gente.

E mais… às vezes, fazer-me de vítima nem é assim tão mau… Todos estão mais próximos de mim (ou, pelo menos, são obrigados a isso). Depois, não sei exatamente que tipo de energia me transmitem, uma vez que estão perto de mim por obrigação e não por escolha. E quando é que o jogo acaba? Uns meses de vitimização absoluta e de drama (choro, lágrimas, sensação de abandono, solidão sem fim) e depois lá vamos nós outra vez! É este o preço a pagar? O período de sofrimento total devido à identificação total com a vítima… e assim por diante.

Imagem de uma mulher vítima de pensamentos e emoções.
Fonte: Leonardo A.I.

E se eu descobrisse que posso divertir-me e viver os meus “jogos” com verdadeira alegria, sem ter de me magoar?

Seria assim tão mau?

Alice no País das Maravilhas

Alice no País das Maravilhas também escreveu outra página sobre tempestades emocionais.