Arte-Terapia e Terapia com Arte
Frequentemente, estas duas definições são utilizadas como sinónimos. No entanto, preferimos fazer uma distinção e considerá-las como dois caminhos diferentes para o mesmo objetivo:
- A arte-terapia consiste em utilizar a arte como forma de cura, como pintar, tocar música, trabalhar com barro ou qualquer outra atividade que liberte a criatividade. Isto abre um canal de comunicação com o inconsciente, o que tem efeitos terapêuticos por si só. Os pacientes ficam então mais operacionais (fazem arte).
- Terapia com Arte: cura através do trabalho artístico. A arte transporta-nos para um mundo diferente, fazendo-nos experimentar sensações e pondo-nos em contacto com a nossa intuição e emocionalidade. É um alargamento dos nossos horizontes que facilita o contacto interior e nos retira do isolamento.
Nesta página não estamos a falar de arte-terapia no sentido estrito, mas de terapia psicológica através da arte introspetiva da pintora Aurora Mazzoldi. Por isso, referimo-nos sobretudo ao ponto 2, onde o terapeuta tem à sua disposição um instrumento muito mais alargado. A pintura introspetiva pode atuar como catalisador da relação terapêutica. O contacto entre o paciente e o quadro permite a emergência espontânea de conteúdos subconscientes censurados pela racionalidade. O terapeuta pode, assim, observar o envolvimento interior do paciente a partir de uma posição neutra.
Comportamentos e Conflitos Interiores

Além disso, as pinturas introspetivas mostram na tela comportamentos e conflitos interiores que podem ser facilmente esclarecidos e explicados ao doente. Nem sempre se trata de um conflito interior. Muitas vezes, os problemas com outras pessoas vêm à superfície. Em ambos os casos, a pintura não só expõe o mal-estar, como também clarifica a dinâmica. Os efeitos desta terapia podem prolongar-se para além da sessão. Isto porque o paciente pode levar para casa uma fotografia do quadro que mais o afetou. Assim, tem uma representação visual que o recorda, a qualquer momento, dos seus mecanismos internos, esclarecendo o seu funcionamento peculiar.
Os quadros introspetivos são também excelentes catalisadores nos grupos de terapia com arte. Nestes grupos, a discussão de uma imagem introspetiva específica permite ancorar a atenção no tópico básico. Deste modo, evita-se que se perca num raciocínio enganador. A discussão sobre o conteúdo do quadro conduz, então, a uma visão mais profunda. Desta forma, é possível que conflitos internos ou interpretações distorcidas da realidade venham à tona. Nos encontros de investigação introspetiva, o quadro, com a dinâmica nele representada, acaba por ativar a discussão.
Entrar na Interioridade
A entrada na interioridade é o ponto de partida para uma investigação mais aprofundada. Os numerosos símbolos que compõem o quadro introspetivo ajudam a alcançar o eu interior. Desta forma, é possível deixar emergir os problemas e discutir possíveis soluções. O tratamento com imagens introspetivas é uma ferramenta única nas mãos do terapeuta. Com ele, a compreensão através do simbolismo é particularmente incisiva, autêntica e fluida.